domingo, 11 de janeiro de 2009

Familiares de Thomaz Fabrício das Neves

Adolfo Fabrício das Neves em 17 de abril de 1945.
Filho de Thomaz e Elíbia Fabrício das Neves.
Foto: Foto Hebe/Henrique J. Berhorst.
Acervo: Vicente Telles (Irani-SC).


Túmulo de dona Elíbia na localidade de Passo Fundo,
no município de Coronel Domingos Soares-PR.

É possível que o túmulo em primeiro plano seja o de
Thomaz Fabrício das Neves (no fundo está o de dona Elíbia).

Thomaz Oliveira Neves, neto de Thomaz
e dona Elíbia, reside em Palmas-PR.
Foto: Marco Nascimento.

José Valdomiro Oliveira Neves (esquerda),
Tiago Silveira Neves (centro, filho de Valdomiro)
e José Antônio Oliveira Neves (irmão de José Valdomiro).
José Valdomiro e José Antônio são
netos de Thomaz Fabrício das Neves.
Coronel Domingos Soares-PR, 13.4.2007.


Dona Maria Pelentier e Saturnino Soares de Oliveira
(filho adotivo de Thomaz Fabrício das Neves).
Palmas-PR, 14.4.2007.

Thomaz Fabrício das Neves, Elíbia Fabrício das Neves
e os filhos. Irani, meados da década de 1920.
Acervo: Thomaz Oliveira Neves (Palmas-PR).

Lauro Fabrício das Neves (Palmas-PR, 14.4.2007).

Lauro, filho caçula, residia em
Coronel Domingos Soares-PR
Falecido recentemente.
Acervo: Lauro Fabrício das Neves
(Coronel Domingos Soares-PR).


Gabriel (Fabrício) Pereira (das) Neves,
que aparece na foto (acima)
da família com uma sanfona.

Acervo: Vicente Telles (Irani-SC).

Dinarte (esquerda), Gabriel e Antônio.
Foto: Conrado Wessel/Palmas-PR.
Acervo: Saturnino Soares de Oliveira (Palmas-PR).


Antônio, filho de Thomaz, com familiares.
Acervo: Vicente Telles (Irani-SC).


sábado, 10 de janeiro de 2009

José Fabrício das Neves (36)

Os papéis de Miguel e Thomaz Fabrício das Neves (4)

Xilogravura de Jayro Schmidt feita no final da década
de 1970 para o jornal mimeografado
Cooperativando, editado em Florianópolis-SC.



No dia 20 de maio de 1913, Miguel Fabrício das Neves e Thomaz Fabrício das Neves foram levados da Cadeia Pública de Palmas à presença do juiz, sendo novamente interrogados à partir das 14 horas em audiência realizada na sala da Câmara Municipal. (PI, fls 254)


“Interrogatório do réu Miguel Fabrício das Neves”

Miguel estava “livre de ferros e sem constrangimento algum”. Disse morar há 16 anos no Faxinal de Irani, sendo natural do Rio Grande do Sul (Passo Fundo).

“Onde estava quando aconteceu o crime?
Em sua casa no Faxinal.
Conhece as pessoas que juraram neste processo? Há quanto tempo?
Conhece-as há muito tempo.
Tem algum motivo particular a que atribua a denúncia?
Não.
Tem fato a alegar ou provas que justifique ou prove sua inocência?
Respondeu que tem e são as constantes na alegação que oferece e pede sejam juntas aos autos”. (PI, fls 254b-255)


“Interrogatório do réu Thomaz Fabrício das Neves”

Logo depois foi ouvido Thomaz, igualmente “livre de ferros”.
Disse se chamar Thomaz Fabrício das Neves, natural do Rio Grande do Sul, residindo no Faxinal de Irani há cerca de 20 anos, lavrador. Disse que estava em casa na hora do combate. Conhece há muito tempo, as pessoas que juraram no processo. Não vê motivo particular para a denúncia. Se tinha fato a alegar ou prova a apresentar, disse que as mesmas constavam das alegações apresentadas por seu tio Miguel.
A defesa por escrito apresentada pelos réus foi juntada aos autos. (PI, fls 256)


A defesa de Miguel e Thomaz

“Meritíssimo Senhor Juiz de Direito
Miguel Fabrício das Neves e Thomaz Fabrício das Neves muito respeitosamente vêem perante Vossa Excelência alegar as razões, que provam, as suas inocências e bem, assim, a do seu camarada Paulo José de Ramos, no processo que lhes instauraram a pública justiça pelos sucessos de Irani. Os indiciados jamais tiveram intenção de tomar parte no combate entre o bando de fanáticos sob o mando do monge José Maria e as forças legais do finado Coronel João Gualberto Gomes de Sá Filho, achando-se em suas residências juntamente com seu camarada Paulo José de Ramos, quis o acaso que o bando de fanáticos, dias antes do combate acampasse em suas moradas em atitude pacífica, sem que houvesse da parte dos mesmos o menor vestígio das funestas conseqüências que se desenrolaram dias depois. Os indiciados não tomaram parte no combate e muito menos prestaram auxilio para que o mesmo se realizasse; aí estão os depoimentos das testemunhas, que em sua unanimidade asseveram essa verdade. O fato de terem os fanáticos se hospedado em suas residências não pode, absolutamente, ser considerado como participação no crime que se [...], não só pela falta de intenção da parte dos indiciados, como porque estes jamais poderiam negar-lhe, tal hospedagem, diante a força numérica dos fanáticos. O fato fora, portanto, natural, sem que fosse presumir a figura do crime; [...] porque esperam dos mesmos que Vossa Excelência tomará na devida consideração estas alegações para o fim de impronunciar os suplicantes e ao seu camarada Paulo José de Ramos [...]”.

Palmas-PR, 20 de maio de 1913
Miguel Fabrício das Neves
Thomaz Fabrício das Neves
(PI, fls 257, 258)

Página do Processo com trecho da defesa de Miguel e Thomaz.
Reprodução: Paulo Pinheiro Machado (Fórum de Palmas-PR).

Sentença final

Terminada a audiência, tio e sobrinho foram novamente acorrentados e levados à Cadeia Pública de Palmas-PR. No dia seguinte, 21 de maio de 1913, retornaram sob escolta à presença do juiz Júlio Abelardo Teixeira.

Os autos são enviados ao promotor Augusto de Souza Guimarães, que assim se pronunciou: “Verifica-se pelas testemunhas que foram ouvidas no sumário, que em dias do mês de outubro do ano passado”, o monge José Maria apareceu no Irani, vindo de Curitibanos-SC, com 40 homens armados, “e ali acampado conseguiu reunir de 200 a 300 homens”. Que o coronel João Gualberto, por ordem do Governo do Estado e do Chefe de Polícia, foi ao local “dispersar aquele agrupamento sedicioso, que era uma afronta às autoridades e constituía ameaça à segurança e tranqüilidade deste Estado e de Santa Catarina”.

No final da madrugada do dia 22 de outubro de 1912, no Banhado Grande (Irani), João Gualberto foi “assaltado pelos fanáticos sob a imediata direção do citado Monge, que em número muito superior, travaram horrível luta com a força deste Estado e apesar da resistência por esta [Força] empregada, foi impossível evitar a sua derrota”. Na ocasião morreram o coronel João Gualberto, dois sargentos e oito praças, e ferimentos em oficiais e praças.

Tomaram parte da luta ao lado de José Maria, segundo o promotor, “prestando-lhe todo o auxílio os denunciados” José Fabrício das Neves, José Alves Perão, conhecido por José Felisberto, Praxedes Gomes Damasceno, “Luiz de tal, filho de João Luiz”, Manoel Barreto, Emiliano Glória, e “Maurílio de Tal, conhecido por Pepino Branco”.

Opina “esta Promotoria que os mesmos sejam pronunciados” no artigo 119 parágrafo 3º, combinado com o artigo 124 parágrafo 1º, no artigo 294, parágrafo 1º, com referencia aos artigos 18 e 63 do Código Penal, "visto concorrerem as circunstancias agravantes do art. 39 parágrafo 5º e 8º do mesmo Código." E,“quanto aos denunciados Miguel Fabrício das Neves e Thomaz Fabrício das Neves, nenhuma prova existe contra os mesmos, assim como não existem contra os demais denunciados, que são quase todos desconhecidos das testemunhas. Palmas, 24.5.1913. Augusto de Souza Guimarães, Promotor Público”. (PI, fls 259-263)

O juiz de Direito Júlio Abelardo Teixeira acatou integralmente a manifestação do promotor Augusto de Souza Guimarães, transformando-a na sentença final do Processo do Irani.

Página do Processo com trecho da
manifestação final do Ministério Público.

Reprodução: Paulo Pinheiro Machado (Fórum de Palmas-PR).

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Escultura vira símbolo do Contestado

Obra do artista José (Mano) Alvim se tornou um
símbolo visual do Movimento do Contestado,
imagem reproduzida em livros,
jornais, revistas, camisetas e miniaturas.




Pintura executada na obra sem consulta ao artista.



Foto: J. L. Cibils (1992).

Imagem na fachada da escola estadual
Isabel da Silva Telles (Irani-SC).


Depoimento de Mano Alvim
sobre a pintura de sua obra


"Oi Celso!Primeiro muito obrigado pela disponibilidade e interesse. A cor original é tinta para concreto, naquela cor verdona e tal. Mas em uma época atrás colocaram uma placa de madeira na frente. O nome original "MONUMENTO AOS VENCIDOS", uma obra alusiva à guerra do Contestado. Éra assim que víamos na época.

Acredito, que embora arbitrária, a intenção da Secretária não é diminuir o valor da obra, e também sei lá quem sugeriu o branco. Agora sinceramente pode ter ficado bom, ou até melhor que a proposta inicial.

Sabe aqui na Capital o pessoal não cuida dos direitos do autor. Como sou do Rio Grande do Sul, também tem aquela coisa, embora já passem trinta anos desde que cheguei aqui. No entanto sinceramente me comove teu interesse e por curiosidade gostaria sim de ver a foto que fizestes, para também conhecer teu trabalho.

Sabe quando fiz aquela obra foi um momento muito bom da minha vida, minha filha caçula nasceu lá, durante a festa de inauguração do monumento, e eu agradeço muito tudo, até este branco atual.

Quem sabe um dia tu fazes uma reportagem, e a gente teria a oportunidade de devolver o real valor a todos que participaram da idealização, criação e confecção, e foram muitos. Um grande abraço, José Alvim".

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

José Fabrício das Neves (35)

Os papéis de Miguel e Thomaz Fabrício das Neves (3)

Thomaz Fabrício das Neves.
Acervo: Thomaz Oliveira Neves (Palmas-PR)



Palmas-PR, 29 de abril de 1913. Audiência. Presentes o juiz Júlio Abelardo Teixeira, o escrivão, o promotor Augusto de Souza Guimarães, e os “indiciados” Miguel Fabrício das Neves e Thomaz Fabrício das Neves. Dos 63 indiciados no Processo do Irani, somente os dois foram presos.


Sexta testemunha. João Antônio da Roza, 44 anos, casado, negociante, natural do Rio Grande do Sul, residente em Palmas [distrito do Irani], sabendo ler e escrever. Era genro de Miguel Fabrício das Neves, sendo por isso dispensado da “promessa legal”.

Revelou que “em dias de outubro” de 1912, chegou um monge ao Irani, chamado José Maria de Castro Agostinho, acompanhado por 40 homens “armados de Winchester”, sendo hospedados na casa de Thomaz Fabrício das Neves. Vieram de Campos Novos perseguidos. Muitos moradores do Irani permaneceram ao lado do monge até a data do combate. Na manhã do dia 22 de outubro, João Roza viu passar pela frente de sua casa “um grupo de cavalheiros, vindo na frente montado em um cavalo branco o Monge José Maria que ia abanando uma espada”.

Estava acompanhado por 80 a 100 homens, “tendo mais gente adiante”. Na seqüência ouviu de sua casa as descargas de tiros vindas do Banhado Grande. No dia seguinte resolveu “seguir para a cidade [Palmas] afim de dar parte as autoridades do ocorrido e passou pelo lugar em que se deu o combate”, tendo se deparado com 17 cadáveres, entre eles o de João Gualberto, “que achava-se fardado em um uniforme amarelo e o célebre Monge que achava-se para dentro de uma cerca”. (Processo do Irani-PI, fls 240b, 241, 242)


Sétima testemunha. João Pedrozo de Camargo, 55 anos, casado, lavrador, natural de São Paulo, residente em Palmas-PR, não sabia ler nem escrever.

Dada a palavra ao promotor, foram feitas algumas perguntas, às quais a testemunha respondeu: sabia, “por lhe constar, que Luiz, filho de João Luiz, foi ferido no combate”; que foi morto um filho de Bento Manoel dos Santos (Bento Quitério); “que não sabe nem lhe consta” que Miguel e Thomaz Fabrício das Neves “tivessem tomado parte no combate referido ou dado qualquer auxílio ao monge”. A palavra foi dada a Miguel e Thomaz e estes nada tinham “a contestar”.


Oitava testemunha. Braz da Costa Varella, 37 anos, casado, criador, natural de Santa Catarina, residente em Palmas-PR, sabendo ler e escrever.

Estava em Lages na ocasião do combate. Soube dos fatos por “diversas pessoas que daqui foram para lá”. Não sabe quem se envolveu com o monge, nem mesmo por ouvir dizer, se referindo também aos denunciados. Ignorava o intuito de José Maria ao ir para o Irani. “Disse mais que conhece os denunciados presentes há menos de um ano e que no lugar onde reside sempre foram tidos como homens de boa conduta e trabalhadores”. O promotor não quis fazer perguntas. Os denunciados nada disseram. (PI, fls 243)


Décima testemunha. Heleodoro Pereira da Silva, 35 anos, casado, negociante, natural do Rio Grande do Sul, residente em Palmas-PR, sabendo ler e escrever.

Sobre quem havia prestado auxílio ao monge respondeu que “os denunciados presentes”, José Fabrício das Neves, José Alves Perão, Dezidério Alves Perão, Praxedes Gomes [Damasceno], Raphael de Brum, Sebastião Baiano, Venâncio Lageano, Antônio Germano, Emiliano Glória, João Lemes, João Bello, Mathias Ermelindo e Clementino Gonçalves. Tomaram parte do combate: Emiliano Glória e um irmão cujo nome desconhece; Zózimo de Tal; "Luiz de Tal, filho de João Luiz" [...]; e José Fabrício das Neves.

Perguntado pelo promotor respondeu não saber se os denunciados presentes tomaram parte no combate. O julgamento foi suspenso. (PI, fls 248b-250)

(Segue)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

A Lumber e o Contestado segundo Valentini

Foto: Claro Jansson (?)/Reprodução: J. L. Cibils.

VALENTINI , Delmir José. Atividades da Brazil Railway Company no Sul do Brasil: a instalação da Lumber e a Guerra na Região do Contestado (1906-1916). Porto Alegre: PUCRS, 2009. 300 f. Tese (Doutorado em História) – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas. Programa de Pós-Graduação em História, Porto Alegre, 2009.

Esta tese analisa a atuação da Brazil Railway Company, holding criada por Percival Farquhar em 1906 nos Estados Unidos e que atuou na Região do Contestado nos ramos ferroviário, madeireiro e colonizador. Através da subsidiária Southern Brazil Lumber & Colonization Company, a Brazil Railway instalou um grande complexo madeireiro extrativo exportador e promoveu a colonização de terras concedidas ou compradas, estabelecendo imigrantes e colonos nas áreas desmatadas.

Durante o período de 1906 a 1916, a Região do Contestado passou por um processo de profundas transformações, que provocaram mudanças econômicas, sociais, culturais, políticas e ambientais. Estas mudanças foram fatores decisivos na deflagração da luta armada desencadeada em 1912, que se estendeu até 1916 e foi denominada de Guerra do Contestado.

A eclosão da Guerra do Contestado é abordada no contexto das transformações ocorridas com a inauguração da ferrovia São Paulo-Rio Grande, que cortou verticalmente a Região do Contestado em 1910, o início das atividades madeireiras e colonizadoras da Southern Brazil Lumber & Colonization Company em 1911 e a conseqüente ocupação das terras para projetos de colonização.

Os antigos moradores da Região do Contestado, muitos dos quais posseiros que ocupavam as terras devolutas que foram concedidas a Brazil Railway Company, revoltaram-se e destruíram estações ferroviárias, queimaram a madeireira da Lumber de Calmon e atacaram os colonos instalados pela Companhia no Rio das Antas. A Guerra do Contestado deixou um saldo de, aproximadamente, 8.000 mortos, a grande maioria, sertanejos pobres que viviam na Região do Contestado.

Este estudo foi elaborado a partir de uma pesquisa documental fundamentada nos arquivos públicos e particulares, nas bibliografias sobre o tema e, também, através da história oral, a partir de entrevistas realizadas com antigos trabalhadores da Southern Brazil Lumber & Colonization Company e seus descendentes.

Palavras-chave: 1. História do Brasil – História de Santa Catarina – História do Contestado. 2. Ferrovias – Madeireiras – Colonização - Guerra do Contestado.

(Texto elaborado pelo autor)

Defesa da tese

12 de janeiro de 2009 (segunda-feira)
Prédio 3, na sala 307
14 horas
Campus da PUC-RS (Porto Alegre)



Cinema da Lumber em 1992. Fotos J. L. Cibils.

Interior do cinema da Lumber na década de 1910.
Foto: Claro Jansson (?)/Reprodução: J. L. Cibils.


Funcionários da empresa madeireira de Três Barras-SC.
Foto: Claro Jansson (?)/Reprodução: J. L. Cibils.