segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

José Fabrício das Neves (21)


Túmulo de Miguel Fragoso no cemitério na área da
da Escola Agrotécnica Federal em Concórdia (SC).


Miguel Soares Fragoso continua sendo um personagem pouco conhecido, mas com participação decisiva no combate de 1912 que deu início ao Contestado. Morreu no ano seguinte, 1913, réu no Processo do Irani, aberto em Palmas-PR. Seu engenho foi passado ao filho Francisco que o arrendou a José Fabrício das Neves, tendo se mudado para Irani, onde se casou com Quena Telles (irmã de Heleodoro Telles, pai de Vicente Telles).

A memória de Miguel Fragoso ainda está presente na região de Concórdia, onde existe um distrito com seu nome e um curso d’água. O cemitério onde foi sepultado, localizado no terreno da Escola Agrotécnica Federal de Concórdia, se encontrava coberto pelo mato até o final ano passado, quando a direção do estabelecimento limpou e recuperou o local. No futuro, o cemitério fará parte de um circuito turístico-histórico.

O senhor José Antônio Puntel, nascido em junho de 1943, agricultor e funcionário público,, residente em Engenho Velho (Concórdia-SC) também busca recuperar a memória de Miguel Fragoso, realizando pesquisas. Os mais velhos, segundo Puntel, “contam que o coronel Fragoso veio para cá por volta de 1900 e dominava toda essa região desde Pinhal Grande, Cascalho e bairro Santa Cruz. E aqui consta que ele ia buscar o que precisava de cargueiro em Rio Negro”.

Miguel ia a cavalo, segundo Puntel, e retornava carregado de mantimentos como “sal, açúcar, o que precisava. Não tinha comércio na região, vinha no longo do burro. Diz que ele fornecia para as famílias e essas famílias trabalhavam para o dito coronel Fragoso”. Abaixo, um levantamento parcial da árvore genealógica de Miguel Soares Fragoso, encaminhado por um seu descendente, Henrique Fendrich.

José Antônio Puntel, pesquisador
residente em Engenho Velho (Concórdia).

Foto: Margaret Grando


Árvore genealógica (parcial)

Honório Soares Fragoso, nascido por volta de 1816[1], casou-se por volta de 1835 com Maria do Pilar, ou Maria Cavalheiro, nascida por volta de 1824. Lavrador. Era pardo e não sabia ler nem escrever. Tiveram ao menos:

1.1 Izabel, batizada em Curitiba a 01.02.1835.

1.2 Antônio Soares Fragoso Lourenço, natural de Campo Largo, com 9 anos em 1850. Casou-se em Rio Negro a 29.10.1857 com Barbara Ruthes, filha de Pedro Ruthes e Magdalena Chemitz. Pais de:

2.1 Maria Soares, casada em Rio Negro a 10.02.1876 com José Ferreira Pinto, filho de Anna Rodrigues.

2.2 Isabel Soares Lourenço, casada em Rio Negro a 02.03.1878 com Lucidoro Martins de Oliveira.

2.3 João Soares Lourenço, casado em Rio Negro a 06.09.1881 com Francisca Ruthes, filha de Nicolao Ruthes e Maria Lourença. Em segundas núpcias casou-se em Araucária no dia 06.09.1881 com Francisca Ruthes, filha de Nicolao Ruthes e Maria Lourença.

2.4 Pedro Soares Fragoso

1.3 Francisca, batizada em Curitiba no dia 04.08.1839.

1.4 Francisca, batizada em Curitiba a 09.07.1841[2]. Casou-se em Rio Negro a 31.07.1858 com José Becker, filho de Gregório Becker e Maria Weber.

1.5 João Soares Fragoso, natural de Campo Largo, com 7 anos em 1850. Casou-se em Rio Negro a 05.07.1862 com Izabel Ruthes, também filha de Pedro Ruthes e Magdalena Chemitz, com quem teve ao menos:

2.1 Antônio Soares Fragoso, casado em Rio Negro em 08.09.1882 com Magdalena Alves, filha de Manoel Alves Machado e Theodora Soares de Jesus.

2.1 João Soares Fragoso, nascido em 1867, casou-se em Rio Negro a 28.08.1892 com Virgínia Moreira Bastos.

2.2 Izabel, nascida em 10.10.1874 e batizada em Rio Negro a 23.10.1874.

2.3 José Soares Fragoso, que se casou no dia 08.01.1899 com Maria Joaquina d'Oliveira.

2.4 talvez um Abílio Soares Fragoso, que se casou com Rita Vieira.

1.6 Salvador Soares, com 4 anos em 1850. Foi casado em Rio Negro a 07.12.1864 com Marianna Ruttes, filha de Pedro Ruthes e Magdalena Chemitz. Pais de:

2.1 Marianna, casada em Rio Negro a 11.08.1888 com Lourenço da Cruz Veiga, filho de João da Cruz Veiga e Christina Ruthes.

2.2 Magdalena Soares, casada em Rio Negro também a 11.08.1888 com Lourenço da Cruz Veiga, filho de João da Cruz Veiga e Christina Ruthes.

2.3 Izabel, nascida em Rio Negro a 22.03.1872 e batizada a 23.03.1872.

2.4 João Fragoso, nascido por volta de 1885 e casado com Victória Cordeiro.

1.7 Maria Soares, casada em Rio Negro a 07.12.1864 com José Ruttes Sobrinho, filho de Pedro Ruthes e Magdalena Chemitz.

1.8 Alexandrina Soares, casada em Rio Negro a 27.10.1867 com José Ruthes, filho de Nicolau Ruthes e Maria Lourença.

1.9 Miguel Soares Fragoso, casado em Rio Negro a 17.05.1874 com Maria Vieira Machado, filha de Manoel Vieira Machado e Anna do Rosário. Tiveram:

2.1 Maria Soares Fragoso, batizada em Rio Negro a 05.01.1882.

2.2 Paulina, nascida em Rio Negro em 23.01.1883 e batizada a 28.04.1883.

2.3 Francisco Fragoso, que teve:

3.1 Osório Fragoso

3.2 Otávio Fragoso

1.10 Rosa Soares, casou-se em Rio Negro a 12.10.1878 com João Martins dos Santos, filho de Salvador Barbosa e Joaquina Maria.

1.11 Suzana Soares, casada em Rio Negro a 06.04.1880 com Salvador Vieira Martins, filho de José Vieira Machado e Anna Martins.

1.12 Joaquim Soares Fragoso, casou-se em Rio Negro a 19.06.1880 com Anna Vieira, também filha de Manoel Vieira Machdo e Anna do Rosário. Pais de:

2.1 Vitalina, batizada em Rio Negro a 21.02.1882.

2.2 Maria, nascida em Rio Negro a 15.12.1886 e batizada a 10.01.1887.

Cremos ainda que Honório foi casado uma segunda vez em Rio Negro a 08.06.1868 com Anna Maria de Jesus, da Lapa, filha de Antônio Lisboa e Rosa Palhano, com quem teve:

1.13 Maria, nascida em 23.07.1870 e batizada a 31.07.1870.


[1] Conforme o Maço Populacional de Villa Nova do Príncipe referente ao ano de 1850.
[2] Há uma Francisca filha de Honório que aparece com 11 anos em 1850. Não é mencionada outra. Talvez uma delas tenha falecido pequena.


Francisco (Chico) Fragoso com a família. Foto: Acervo Vicente Telles.

Chico Fragoso. Seus descendentes residem em Palmas
e Coronel Domingos Soares (PR).
Foto: Acervo Vicente Telles

domingo, 7 de dezembro de 2008

O Contestado na lente de Marco Cezar (1)


A caminho de Irani-SC.

Marco Cezar no local do combate de 22 de outubro de 1912 (Irani-SC).
O repórter-cinematográfico Marco Nascimento,
seu irmão, prepara o tripé da câmera para fazer registros.


Irani-SC em 7 de setembro de 2007.

Na cachoeira da propriedade de Vicente Telles (Irani-SC).

O repórter-fotográfico Marco Cezar Nascimento foi outro parceiro inseparável nas andanças pelo Meio-Oeste catarinense e Coronel Vivida-PR, seguindo os rastros dos Fabrício das Neves, dos Perão, dos Antunes e outros descendentes de combatentes do Contestado (Irani). Paulistano filho do fotógrafo Firmino Nascimento, com quem aprendeu os segredos do ofício, e irmão do repórter-cinematográfico Marco Nascimento, já apresentado aqui, ingressou no fotojornalismo em meados da década de 1980.
Na convivência com Orestes de Araújo, Sérgio Rosário, Rivaldo de Souza, Lourival Bento, Tarcísio Mattos, Carlos Silva e tantos outros, nasceu um novo profissional. Quando se apresentou na redação de "O Estado" pela primeira vez, foi olhado de lado: era um fotógrafo de estúdio e de madames, não um repórter-fotográfico. Uns poucos anos bastaram para que ele se tornasse uma referência entre os profissionais do gênero. E sem ter abandonado a origem - o estúdio, a imagem produzida.
Quando "O Estado" estava para fechar as portas, ele criou a revista Mural, indo agora para a edição nº 46. Ele ouvira apenas falar do Contestado quando o convidei para uma viagem ao Iran. O objetivo era produzir fotos que foram usadas no livro "O mato do tigre e o campo do gato" (Florianópolis: Insular, 2007). Ele se encantou com as histórias, os personagens, os depoimentos, a memória presente nas paisagens, nos cemitérios, nas estradas de barro e pedra dos interiores da região.
Retornamos várias vezes à região e os resultados foram parar nas páginas da revista Mural (ver Colunas/Celso Martins, e texto especial do professor Paulo Pinheiro Machado sobre o cerco a Lages em 1914). A produção de Marco Cezar dos anos 1980, em preto e branco, está sendo mostrada num blog recém criado.

Algumas imagens capturadas por Marco Cezar nas jornadas pelo universo dos caboclos são publicadas a partir de hoje.


Gruta do Monge (Fraiburgo-SC)








A memória oral da região garante que São João Maria
pousou nesse local, onde ainda existe uma fonte d'água.

sábado, 6 de dezembro de 2008

José Fabrício das Neves (21)

Monumento ao Contestado (Iranai-SC)


Miguel Fragoso na defensiva

Na avaliação dos historiadores paranaenses, no final da madrugada do dia 22 de outubro de 1912, houve uma “espera”, ou seja, uma emboscada, não um combate. As acusações chegaram a seus ouvidos e Miguel Fragoso resolveu se apresentar em Palmas, tendo conversado com as autoridades, transmitindo a imagem de um “sertanejo inteligente que pesava seus sentimentos e seus atos”.

Sua presença irritou praças e oficiais do Regimento de Segurança que “alçaram-se em um motim para linchá-lo, em vindita [vingança] dos companheiros tombados”, o que foi evitado pelo coronel Pyrrho, “que teve de desembainhar a espada afim de contê-los”. Fragoso, segundo Fredericindo Mares de Souza (1987, p. 133), “obedecia à orientação do coronel Soares, este até acusado de lhe dar proteção, talvez por serem ambos antigos maragatos”.

Fragoso tinha uma versão preparada com antecedência, visando convencer as autoridades de Palmas de que “não se envolvera em absoluto nos sucessos. Ao contrário, afastou muita gente de cair no fanatismo”. Ou seja, ele foi convincente, contando o que muitos autores reproduzem. Chamado por José Maria três vezes, não atendera, tendo procurado o coronel Domingos Soares quando ele esteve em Irani conferenciando com o monge. “Enquanto o esperava, conversou com José Maria. Teve com ele um começo de atrito ao tentar convencê-lo a retirar-se”, conta Souza (1987, p. 133). Ao tentar acalma-lo, José Maria o tratou por compadre, ouvindo de Fragoso um “não sou seu compadre”.

Antes de o inquérito ir “parar nas prateleiras do Cartório Criminal de Palmas”, após serem ouvidas dezenas de testemunhas, as autoridades do Paraná estavam convictas de que “a idéia de resistir coube sem dúvida ao monge e dirigiram a ação guerreira vários cabecilhas, entre os quais Juca Fabrício [José Fabrício das Neves] e os fiéis do Taquaruçu”, sendo citados José Nunes Paiva (também chamado José Felisberto), Brito Antônio, Praxedes Gomes Damasceno, Cirino Chato (Cirino Preto) e “o fiel escriba Clementino”, que após o combate “solicitou socorro na casa da família Kades”, tendo que “segurar nas mãos o maxilar arrebentado por um balázio de comblain”. Quanto a José Fabrício, ficou marcado como sendo um “famanaz [afamado] do crime” e que, “processado, fugiu” (SOUZA, 1987, p. 133).


Referência

SOUZA, Fredericindo Mares de. O presidente Carlos Cavalcanti e a revolta do Contestado. Curitiba: Lítero-Técnica, 1987.

Engenho Velho (Concórdia-SC), região de abrigo e
atividades
de Miguel Fragoso e José Fabrício das Neves

O testemunho no Processo do Irani (Palmas)

“Auto de perguntas feitas a Miguel Soares Fragoso”, em 5.11.1912. Tinha 56 anos, viúvo, industrial, natural de Rio Negro, filho de Honório Soares Fragoso, residente no Jacutinga, sabendo ler e escrever.

Disse que no dia 14 ou 15 de outubro (1912), “soube que no Faxinal dos Fabrícios, no Irani, se achava um monge receitando remédios, e como o respondente se achasse doente, ordenou a seu genro Augusto Ruth Schmidt [frei Tambosi escreve Schmitt] fosse ao Faxinal consultar com o tal monge, afim de ver se obtinha algum medicamento para cura de sua moléstia. [...] que tendo seu genro consultado ao Monge nesse sentido este disse ao genro do respondente que remédio não daria sem que o respondente fosse a sua presença”.

No dia 19, “teve ciência que o referido Monge pretendia seguir com seu pessoal para o Jacutinga e também porque desejasse obter [....] com o mesmo”. Fragoso deixou sua casa acompanhado de 20 homens e “dirigiu-se ao acampamento do monge, tendo pernoitado no lugar denominado Engano, de onde saiu no dia seguinte pela manhã, além dos que já tinha em sua companhia, pernoitando nesse mesmo dia no acampamento do Monge onde chegou acompanhado de 38 homens, alguns dos quais lhe alcançaram em caminho”.

Ao chegar ao acampamento de JM, este “ordenou” que os homens de Fragoso recebessem fitas brancas para por nos chapéus, “tendo o respondente recusado-se a isto”. Alegou que “não estava tratando de guerra e que se o Monge quisesse brigar que saísse para o campo e não ficasse [...] sacrificando tantas famílias, porque o respondente não queria ver seus parentes e amigos mutilados por bala, apesar de ter ele Monge feito convencer à sua gente que balas de inimigos não os atingia, pois era sair da boca da arma e cair no chão sem ofendê-los, pois para o inimigo era bastante chegar a facão, tendo então o respondente feito ver ao Monge o que era o resultado de um combate, do qual o respondente tem prática, que feito pelo respondente estas ponderações o Monge demonstrou-se contrariado, não trocando, desde então, mais palavra com o respondente; que nessa noite o respondente encontrou o Monge que disse chamar-se José Maria de Castro Agustinho [assinalado no original], hospedado na casa de Miguel Fabrício das Neves [...] que na casa estavam armadas muitas barracas”.

“[...] no dia seguinte, o respondente notou que o número de homens que ali se achavam era de duzentos e cinqüenta, mais ou menos, entre os quais o respondente lembrasse de ter visto José Fabrício das Neves, José Perão, vulgo José Felisberto, Dezidério Perão, Bento Quiterio, Thomaz Fabrício das Neves, Miguel Mato-Grosso que é um indivíduo de vinte e cinco anos de idade, bigode, cabelo e barba preta, de estatura regular, filho de José Matto-Grosso, um cunhado de Miguel Matto-Grosso de nome Germano de Tal, de estatura regular, gordo, moreno, tipo de Paraguaio, regulando vinte e oito anos, mais ou menos, e um vacariano de nome Pedro Felix que fazia parte dos doze pares do Monge, que tendo chegado no acampamento do Monge no dia vinte, ai pernoitou e passou o dia seguinte vinte e um onde novamente pernoitou”.

“[...] que no dia vinte e um chegou ao acampamento do Monge às onze horas o dia uma comissão composta do Coronel Domingos Soares, Octávio Marcondes, João Varella, José Júlio Farrapo e Déco Cachoeira, que ali foram conferenciar com o Monge de cuja conferência o respondente fez parte, tendo ouvido o Coronel Soares perguntar o que significava aquele pessoal ali acampado e armado, [...] daquela zona, afirmando o Monge que nada tinha com o Governo nem com o povo do Paraná e que ali estava devido terem levantado em Curitibanos uma calúnia contra ele, acusando-o de ter tentado restaurar a Monarquia no povoado denominado Taquaruçu, no Estado de Santa Catarina, tendo então o Coronel Soares aconselhado ao Monge que procurasse seus direitos por meios legais, constituindo para isso um advogado e que reuniões daquela natureza o Governo não consentia, tendo nessa ocasião o Monge feito ver que de Santa Catarina tinha vindo atropelado e se o governo do Paraná o perseguisse também, ele seria obrigado a [...]”.

Na ocasião Soares teria dito que “o Monge podia ir deixando ali as pessoas do lugar que eram homens pacíficos e ordeiros”. José Maria “disse as seguintes palavras: ‘Pois que estóre ou que arrebente”. Diante disso, Soares “muito incomodado, disse ainda algumas palavras ao Monge e em seguida retirou-se para uma sala próxima; neste momento Octávio Marcondes entrou em conversa com o Monge e após ter feito a este muitas ponderações, fez ver ao Monge que diversas pessoas que ali se achavam ao lado deste eram arrendatários da Fazenda Iranÿ e pelos quais Octávio Marcondes se interessava muito, não tendo o respondente ouvido o Monge dizer coisa alguma a Octávio em resposta as suas palavras”.

Fragoso deixou o quarto e se dirigiu a uma sala onde estava Domingos Soares e convidou este, bem como a José Fabrício, para conversarem no sentido de verem se conseguiam retirar o pessoal de José Fabrício, dispersando estes”. Soares e Fragoso aconselharam “a José Fabrício no sentido de ordenar a dissolução do seu pessoal respondeu este que se achava em tratamento de sua saúde em casa de seu irmão Thomaz onde estava acampado um grupo de homens armados ao lado do monge e que se a gente do Governo viesse metia bala [assinalado no original], dizendo o Coronel Soares a José Fabrício que se ele pusesse bala na força que viesse o Governo mandaria para ali força necessária para a manutenção da ordem, perguntando o Coronel Soares a José Fabrício que motivo havia para quererem brigar contra o Governo, tendo nessa ocasião José Fabrício ficado cabisbaixo sem proferir palavra, retirando-se dali o respondente e o Coronel Soares”.

Fragoso teria dito a Soares que o Monge “estava zangado” e que ia falar novamente com ele, para ver se “conseguia encaminhar aquele povo para suas casas; de acordo com o Coronel Soares falou o respondente novamente com o Monge, fazendo ver a este que o Coronel Soares era o chefe do pessoal daquela zona e pelo qual muito se interessava e que por isso ele, Monge, devia entrar em acordo com o Coronel Soares”. José Maria pediu a Fragoso que “este garantisse a passagem dele, Monge, dali para o Estado de Santa Catarina”. Fragoso chamou Soares e transmitiu o pedido, “tendo o Coronel Soares dito-lhe que de sua parte estava garantido; que o Monge podia sair em direção ao Campo-Erê onde nada lhe aconteceria, esta promessa o Coronel Soares fez no sentido de facilitar a prisão do Monge”.

Momentos depois o Coronel Soares “e seus companheiros se despediram do Monge e retiraram-se em direção ao campo; que nesta ocasião o respondente viu Octávio Marcondes tirar do bolso uma carta e entregar ao Monge; que este lendo-a disse o seguinte: ‘Pois eu então sou homem de receber cartas escritas a lápis?’ não tendo o respondente ouvido qual foi a resposta de Octávio; que a tarde o respondente notou que o Monge estava bastante zangado e que daí a pouco encilhar a cavalhada e depois de formado o piquete composto de quarenta homens armados o Monge montou a cavalo e partiu com o piquete a toda disparada em direção a saída do campo, de onde voltou as três horas da madrugada”.

Fragoso viu quando José Maria “entrou na casa de Miguel Fabrício, onde se achava hospedado”. Na manhã seguinte, 22 de oututro de 1912, Fragoso “ordenou que o pessoal que andava com sigo procurassem seus animais para voltarem para o Jacutinga, onde morava”. Por volta das 6h30, “mais ou menos”, “chegou ao acampamento do Monge um indivíduo que o respondente não conhece dizendo ao Monge que as forças do Governo já estavam no campo fazendo tiroteio; sabendo o Monge desta notícia, mandou, a toda pressa, encilhar a cavalhada, que já estava a cabresto, e montou a cavalo saindo na frente da força que era composta de cinqüenta homens mais ou menos, o célebre Monge José Maria [...] pronunciando em frente do piquete as seguintes palavras: Quem experimentar José Maria uma vez, a outra vez, não quererá nem com açúcar [assinalado no original]; e após muitos vivas que partiram do povo da força o Monge disse o seguinte: Alegrem o coração rapaziada, e, em seguida partiu em direção ao campo onde em caminho juntou-se com José Fabrício que com muita gente fazia, no mato, a guarda avançada, em quanto isto o respondente pôs-se a frente de um grupo de cento e tantos homens a pé e conseguiu que todos abandonassem o Monge e se retirassem para suas casas o que fizeram; que momentos depois o respondente ouviu cerrado tiroteio o qual calculou ser efetuado no Banhado Grande próximo ao mato”.

Ao se dirigir para sua casa, disse Fragoso, “foi alcançado por Gabriel Cordeiro que tinha estado no tiroteio que disse ao respondente que o Monge tinha tiroteado com as forças do Governo, constando ter estas acabado com o pessoal do piquete e que o Monge também tinha morrido; que Gabriel apartando-se tomou o rumo da [serra]”, enquanto Fragoso e seus homens seguiram viagem.

“[...] que o respondente sabe que José Fabrício das Neves, José Alves Perão, Miguel Matto-Grosso, Bento Quitério e Dezidério Perão, tomaram parte ativa no combate de vinte e dois, ao lado de José Maria, bem como um indivíduo conhecido por comandante Praxedes, Pedro Felix, Cláudio, João e Antônio Belchior, e Clementino Fabrício que servia de Secretário do Monge”.

Fragoso diz em seu depoimento que “o homem que mais confiança merecia do monge era José Fabrício das Neves que era encarregado de reunir o pessoal para seguir o Monge”. Garante que não lutou ao lado do Monge, e que “apenas alguns dos rapazes que vieram consigo aceitaram o distintivo do Monge, pondo uma fita branca no chapéu; que o respondente desconfia que alguns destes houvessem logrado a sua atividade e acompanhado as forças do Monge, porque em regresso para sua casa verificou que alguns deles não tinham aparecido, entre esses João Leme, Antônio Palhano, Francisco Leme e Paulo de Tal”.

Disse ainda que, a caminho, soube que “o tal comandante Praxedes tinha saído ferido e tinha tomado a direção do Jacutinga”, o que ficou sabendo “por um de seus filhos que tinha ficado na invernada do acampamento procurando um animal que estava extraviado e que encontrou-se com o mesmo Praxedes quando este ferido entrava no mato após o combate; sabendo também que Sebastião Baiano que estava com o Monge também saiu ferido”.

Sobre Miguel Fabrício das Neves disse que até o dia 21 de outubro, este “conservou-se sempre ao lado do Monge”. Tanto é que “na tarde do mesmo dia, quando o Monge saiu do acampamento com todo o seu pessoal, voltando para ali às três horas da madrugada, Miguel Fabrício ficou com o piquete ao lado do Monge, voltando Miguel Fabrício adoentado devido ter destroncado seu pé proveniente de ter rodado o animal em que montava, motivo este que fez Miguel ficar em casa no dia do combate”. Fragoso, entretanto, “acredita que se Miguel não estivesse doente teria tomado parte saliente no combate ao lado do Monge”.

A caminho de Palmas, onde ia depor, soube que no lugar Macaquinhos tinha aparecido diversas pessoas do grupo do Monge que fugiram depois do combate e que lá mesmo tinha chegado um indivíduo gravemente ferido que faleceu no dia seguinte”, [...] e alguns deixaram no local animais do Governo. Soube por Eleodoro Silveira que onze pessoas haviam morrido, inclusive o coronel João Gualberto.

O coronel viu “os doze pares do Monge, todos montados em animais claros os quais viviam garrados ao Monge; que o Monge dava a esses homens o título de ‘Doze Pares de França’”. Através de José Fragoso, Miguel Fragoso “também soube que depois do combate José Fabrício das Neves ficou no campo de luta recadando tudo quanto ali estava, inclusive tudo quanto o Monge tinha em seu poder assim como dinheiro, relógio e outros objetos, sendo provável que a mesma coisa fizesse Fabrício levando o dinheiro e objetos do Coronel João Gualberto”. Que no acampamento do Monge, “falavam que este carregava consigo muito dinheiro”.

Miguel Fragoso “ouviu propalarem que parte das forças do Governo não tinha [enfrentado] os fanáticos, tendo logo recuado, deixando assim enfraquecido o pessoal que se batia, no entrevero, aparecendo ao respondente que se a força do Governo fizesse resistência parelha teria feito completa derrota no pessoal do Monge, pois quando partiu o Monge com seu pessoal, o respondente calculou que nenhum deles voltasse com vida, pois, o respondente estava certo que as forças do Governo seriam vitoriosas”. No final, disse não reconhecer uma “guampa” e um “arreador” que lhes foram mostrados - “não reconhece, ignorando que sejam seus donos”.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Parque do Contestado: ruína e desperdício

Recursos públicos jogados fora em Irani-SC. Estruturas estão se deteriorando.







Fotos de março a julho de 2007. O abandono continua.



Tentativa de uso do espaço abandonado. Fotos: Acervo Vicente Telles.






Museu do Contestado funciona precáriamente,
apesar dos esforços dos que atendem os visitantes.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

José Fabrício das Neves (20)


O papel de Miguel Soares Fragoso (1ª parte)

Miguel Fragoso foi apontado pela historiografia paranaense como o comandante dos caboclos no combate de 22 de outubro de 1912 em Irani. “A figura sombria de Miguel Fragoso, indigitado cabecilho da malta assassina”, escreve Fredericindo Marés de Souza, “evidenciava-se torva dentro de uma negra legenda do crime”, pois “duvidava-se da capacidade guerreira do místico José Maria”. O jornal A República, conforme o mesmo autor, apontava José Maria como um homem bom, mas que estaria servindo “apenas de gato morto a Fragoso e seus sequazes”, segundo Souza (1987, p. 125).

Pouco antes da meia-noite de 23 de outubro de 1912, o chefe de polícia do Paraná escreveu de Palmas ao governador Carlos Cavalcanti, do Paraná, relatando o temor existente na cidade quanto a uma possível invasão dos caboclos. Fala em 500 homens “armados e municiados”, dirigidos pelo “indivíduo Miguel Fragoso” (SOUZA, 1987, p. 125-126). No dia seguinte, 24, são enviados reforços para a região de Palmas, enquanto o governador paranaense se dirige ao presidente Hermes da Fonseca pedindo a intervenção do Exército. Isso resultou na organização de uma expedição sob o comando do coronel Antônio Sebastião Basílio Pyrrho, comandante do 5º Regimento de Infantaria aquartelado em Ponta Grossa-PR (SOUZA, 1987, p. 128-129).

As forças estaduais em Palmas foram incorporadas à coluna do coronel Pyrrho, composta por regimentos de infantaria e cavalaria, uma companhia de metralhadoras e “duas bocas de fogo de artilharia montada”, segundo Rosa Filho (1988). Acrescenta que de Florianópolis seguiu uma coluna constituída pelo 54ª Batalhão de Caçadores e a Força Pública (Polícia Militar) do Estado. O coronel (Guarda Nacional) Manuel Fabrício Vieira, por outro lado, que havia se oferecido para enfrentar os homens de José Maria no Irani e recebera um não precisa, se incorporou à expedição, assim como outros grandes fazendeiros e caudilhos de Santa Catarina e do Paraná (SOUZA, 1987, p. 129).

A primeira providência de Pyrrho, foi enviar oficiais e praças a paisana para buscar informações nas regiões do Irani e Jacutinga, sob o comando do capitão Antônio Ribeiro dos Santos, “guiados por vaqueanos”. Esses homens andaram 10 dias pela área, percorrendo cerca de 400 quilômetros (60 léguas) e constataram que “em certos quarteirões, os sitiantes haviam fugido”, informa Souza. “O facínora José Fabrício, vulgo Juca Fabrício, sumira. Quatro membros da família Germano e o preto Sebastião”, este acusado de ter se apossado da arma de um policial no combate, “não foram encontrados no lugar” (Catanduvas). “Da família Fabrício só se achava em casa Miguel, por estar doente” (SOUZA, 1987, p. 130).

Esses militares relataram que “no Faxinal dos Fabrícios, povoado de 13 casas”, havia uma “decente capela, onde se notava, no altar, entre outros santos, o retrato de João Maria”. O restante de Irani “é todo de sítios isolados, em geral, cômodos, providos do necessário, próximo das roças. Aparentava zona próspera”, cita o autor. No local onde ocorrera o combate e “na casa de Bentinho”, os mesmos militares encontraram 20 gorros, cantis, bandoleiras, quatro capotes da polícia e um chapéu “com fita branca que pertenceu ao monge”, segundo “A república” de 19 de dezembro de 1912 (SOUZA, 1987, p. 130-131).

De acordo com Rosa Filho (1998), tropas da cavalaria do Exército percorreram todas as estradas de acesso a Irani e o “local do encontro anterior foi minuciosamente batido e explorado nos seus arreadores. Nada foi encontrado. Informações dos poucos moradores, ainda apavorados, resultaram no retrocesso da coluna”. Dessa forma, “depois de peregrinar quase um mês pelos arredores palmeirenses, a esperançosa Coluna Pyrrho era dissolvida, sem ter um só encontro com os rebeldes sertanejos”.

Os resultados foram decepcionantes para os dois autores paranaenses, enquanto o Ministério da Guerra se justificava, “dizendo que era impossível o Exército organizar um plano de combate e, vista de ser desconhecida a topografia do terreno”. Isso significava a ausência de mapas precisos, tornando o local “quase inatacável”, já que a “formação acidentada do terreno assegurava aos fanáticos magníficas posições”. A tudo isso se somou a falta de vias de transporte adequadas, tornando a perseguição uma “verdadeira inércia”. Uma vez “desbaratados, mas vencedores no primeiro encontro, os fanáticos sobreviventes retrocederam para a margem esquerda do rio do Peixe”, indo se refugiar na região de Campos Novos (ROSA FILHO, 1998).

Enquanto as buscas aconteciam, foi aberto um inquérito policial em Palmas, visando apurar os detalhes do combate de Irani, visando satisfazer a opinião pública que “exigia a punição dos culpados”. Ao mesmo tempo, um conselho de guerra investigou a participação dos oficiais sobreviventes do combate. “Do lado dos bandoleiros”, destaca Souza (1987, p. 131-132), “apontava-se como o maior responsável, como se observa nos primeiros comunicados, Miguel Fragoso”, um “posseiro na zona do Irani chamada Sertãozinho, no lugar Engenho Velho”, nas margens do rio Uruguai, hoje município de Concórdia. “Teria sido ele o comandante de briga, uma espécie de general fanático, na polvorosa espera do Banhado Grande”.


Nascido em Rio Negro (PR) por volta de 1856, Miguel Soares Fragoso era filho de Honório Soares Fragoso e Maria do Pilar, tendo se casado em 17 de maio de 1874 com Maria Vieira Machado, filha de Manoel Vieira Machado e Anna do Rosário [informações enviadas por um descendente dos Fragoso, Henrique Fendrich]. Estava com cerca de 38 anos de idade quando participou da Revolução Federalista (1893-1895), tendo ingressado nas tropas de Gumercindo Saraiva. Sua presença nas frentes de combate foi registrada pelo médico Ângelo Dourado, que acompanhou as forças federalistas (DOURADO, 1977, p. 220-221; 227).

Outras informações sobre ele são do frei Valentin Tambosi, autor da primeira parte do Livro de Crônicas da Capela de Nossa Senhora Aparecida de Engenho Velho (Paróquia N. S. do Rosário, Concórdia). O texto de frei Tambosi foi reproduzido pelo lavrador e funcionário público José Antônio Puntel e entregue ao autor. Nascido em 10 de julho de 1943, em Engenho Velho, Puntel reúne depoimentos de antigos moradores e escritos sobre a história do lugar.

“Engenho Velho é uma localidade situada na confluência do lajeado dos Fragosos com o rio Jacutinga, uns 25 quilômetros de Concórdia, na estrada Concórdia-Itá”, escreve frei Tambosi na década de 1940, com base em antigos relatos de franciscanos. “É um dos lugares mais antigos de Concórdia e está ligado ao nome e a ação do coronel Miguel Soares Fragoso”, assinala. Fragoso teria chegado à região por volta de 1900, permanecendo “18 meses nos campos do Irani”. Pelas contas do frei, por volta de 1903, Miguel já se encontrava no atual distrito de Santo Antônio da Boa Vista (Concórdia), transferindo-se em 1909 para a barra do lajeado Fragoso (Engenho Velho), um lugar conhecido antigamente como barra de Santa Cruz, no mesmo município (TAMBOSI, 1941).

O fotógrafo Júlio Gomes conheceu as estruturas remanescentes de um engenho hidráulico, mandado construir por Miguel Fragoso. Serrava madeira, fabricava aguardente e açúcar. “Tudo isso está hoje lá embaixo, com cerca de 60 metros de água por cima”, diz, mostrando a paisagem do lago de Itá na altura da foz do rio Jacutinga.

“Por toda a região”, prossegue frei Tambosi, “viviam espalhadas várias famílias, que tinham vindo do Rio Negro com o coronel”, citando os nomes de Augusto, Pedro e Miguel Ruth Schmitt, “e uma irmã casada com Ponciano dos Passos”, além de José e Constante Gren, Joaquim Fragoso (irmão de Miguel) e seu sobrinho José Fragoso. “Em sua maioria moravam perto do atual Engenho Velho, onde cuidavam das plantações e da criação do coronel”, diz frei Tambosi. “Era o sistema feudal dos fazendeiros, sendo Fragoso o cabeça, que de tudo cuidava, indo buscar com cargueiros o necessário em Palmas e Porto União”, acrescenta. Em troca, “trabalhavam todos para o coronel” (TAMBOSI, 1941).

Nilson Thomé traça um perfil interessante desse personagem. “Fragoso era amigo dos principais fazendeiros da região, muitos deles ex-maragatos, como o coronel Domingos Soares, líder político em Palmas”, assinala. Também “mantinha boas relações com a numerosa família Fabrício das Neves, posseira e proprietária de grandes extensões no Irani”. Federalista e monarquista “convicto”, após “se revelar pela coragem em combate, entre 1895 e 1912, mostrou-se pacífico e religioso, vindo a pregar a palavra de Deus”, adotando o uso de “plantas medicinais para curar doentes, com o que passou a ser muito estimado pelos habitantes da região”. Por isso, os caboclos o tinham como um “homem de paz de forte liderança e dispunham-se a defendê-lo ante qualquer ameaça, com o uso de armas, se necessário”. Era chamado de coronel Fragoso como “sinal de respeito”(THOMÉ. 1999, p. 122).

Maurício Vinhas de Queiroz o situa “junto ao rio Jacutinga e sobre a fronteira do Rio Grande”, onde havia um “largo trato ocupado por Miguel Fragoso e seu pessoal desde os tempos que se seguiram ao fracasso do Movimento Federalista”. (1981, p. 92) O “antigo chefe maragato” era “capaz de levantar a qualquer momento 100 homens em armas”, afirma Queiroz, que destaca as ligações entre Fragoso e José Maria (QUEIROZ, 1981. p. 93) .

Em relação a sua participação no combate de 22 de outubro de 1912, no Irani, Queiroz diz o seguinte: “Miguel Fragoso ficara seguramente na reserva, com o grosso de seu pessoal, pronto parta intervir em caso de necessidade para socorrer o monge, embora isto nunca tivesse ficado de todo comprovado nos vários inquéritos policiais e militares que se seguiram aos acontecimentos”. E mais: “O que ficou indubitavelmente apurado é que, se bem não tivesse participado pessoalmente da refrega, grande parte de seu pessoal ali atuou, sem que ele o tivesse podido ou querido impedir”. O autor destaca ainda a “sólida proteção” recebida por Miguel Fragoso do coronel de Palmas Domingos Soares e a “benevolência das autoridades federais” (QUEIROZ, 1981, p. 101).



Voltemos ao frei Tambosi, para que Miguel Fragoso era “homem de muita religião”, e “cuidou que viessem os padres em visita a este lugar”. Além disso, mandou construir uma “capelinha, que seria dedicada a Nossa Senhora da Conceição”. Enquanto a edificação era erguida, Fragoso providenciou a vinda de padres de Palmas, passando por Irani, entre eles os freis Solano Schmitt, Luiz e Dimas, que “celebravam a santa missa na própria casa do coronel”, em Engenho Velho.

Pouco antes da conclusão da capela, entretanto, “deu-se o desastre. Faltando os pregos, empilharam a madeira dentro da igreja. Na queima de uma roça vizinha, queimou também a capela”, em 1910. Desde o ano anterior, devido a problemas de saúde com a esposa, Miguel Fragoso havia construído uma casa próximo do engenho. Sobre ele, frei Solano Schmitt escreveu várias crônicas em edições da revista “Vida Franciscana” (TAMBOSI, 1941). Segundo Nilson Thomé (THOMÉ, 1999, p. 125), o monge José Maria teria conhecido Miguel Fragoso por volta de 1910, com quem teria “aprendido, ao menos em parte, lições de religião e homeopatia”.


Barra do rio Jacutinga (Concórdia-SC), ligada ao lago de Itá-SC.
Território de Miguel Fragoso e José Fabrício das Neves.

Referencias
SOUZA, Fredericindo Marés de. O presidente Carlos Cavalcanti e a revolta do Contestado. Curitiba: Lítero-Técnica, 1987.
ROSA FILHO, João Alves. Combate de Irani. Curitiba: Associação da Vila Militar, 1998.
DOURADO, Ângelo. Voluntários do martírio: narrativa da revolução de 1893. Porto Alegre: Martins Livreiro, 1977.
TAMBOSI, Valentin. Livro de Crônicas para a Capela de Nossa Senhora Aparecida de Engenho Velho. Paróquia N. S. do Rosário, Concórdia, Diocese de Lages. [1941]. 50f. [manuscrito]. (Fotocópia das primeiras páginas cedida por José Puntel. Concórdia, abril 2007).
THOMÉ, Nilson. Os iluminados: personagens e manifestações místicas e messiânicas no Contestado. Florianópolis: Insular, 1999.